Polygon: filmes de O Hobbit esqueceram que a história nasceu como conto de ninar
Em texto de opinião, o site defende que Peter Jackson ignorou a origem infantil do livro e diz que A Princesa Prometida mostrava um caminho melhor.

Imagem: reprodução/Polygon
Um texto de opinião do Polygon afirma que os filmes de O Hobbit, dirigidos por Peter Jackson, erraram ao esquecer a origem da história: um conto de fadas contado na hora de dormir.
O autor diz que O Hobbit é seu livro favorito, que o prefere até a O Senhor dos Anéis e que tenta relê-lo todo ano. Quando soube que Jackson faria uma trilogia, concluiu que havia algo errado. Para ele, os filmes são uma bagunça cheia de CGI que, na maior parte, não traduz a magia do livro.
Ele não põe toda a culpa na ganância das produtoras. Jackson e a parceira criativa Philippa Boyens aceitaram esticar os dois filmes planejados para três. Segundo o texto, o problema vai além do excesso de material "original": a adaptação perdeu de vista o que a obra era na concepção.
De onde veio O Hobbit
Entre 1930 e 1931, J.R.R. Tolkien sentou à mesa e escreveu uma única linha: "Num buraco no chão vivia um hobbit". Não havia grande saga pronta na cabeça dele. Anos depois, a frase virou histórias para os filhos dormirem.
As crianças, Christopher em especial, reclamavam das inconsistências. Queriam saber a cor da porta de Bilbo e o material da borla de Thorin, como o próprio Christopher contou na introdução da edição de 50 anos do livro. Tolkien decidiu então anotar tudo, incentivado por amigos como C.S. Lewis, autor de As Crônicas de Nárnia.
O autor do Polygon lembra que Tolkien tratava crianças com respeito e se recusava a vê-las como público de segunda linha. Numa entrevista ao New York Times em 1967, ele disse que "crianças não são uma classe". No ensaio On Fairy-Stories, escrito em 1937 e publicado em 1947, Tolkien define como conto de fadas a história que cria um "mundo secundário", o que hoje se chama de fantasia.
A sugestão: A Princesa Prometida
O texto propõe que a trilogia olhasse para A Princesa Prometida, filme de 1987 baseado no romance de William Goldman, de 1973. Nos dois, uma moldura narrativa dá ar de conto de fadas à trama. No filme, um avô lê o livro para o neto doente. A obra também nasceu de histórias que Goldman escreveu para as duas filhas, de 7 e 4 anos.
Na versão imaginada pelo autor, o filme de O Hobbit começaria com Tolkien, cansado depois de um dia longo, entrando no quarto dos filhos. Christopher se sentaria na cama e pediria que o pai contasse de novo a história de Bilbo e dos anões, "mas dessa vez sem errar os detalhes". Em momentos-chave, a câmera voltaria ao quarto. Christopher e Michael Tolkien ajudaram o pai a moldar o livro, inclusive na digitação e na revisão, e o texto vê aí material que a trilogia desperdiçou.
O autor não acha errado focar nos aspectos épicos da história, como fez Jackson. Mas diz que a âncora no mundo real, com Tolkien contando a história, daria o equilíbrio que faltou.
Fonte: Polygon. Texto produzido com apoio de inteligência artificial a partir da fonte citada e revisado pela redação.



