Criadores de Final Fantasy e Mana dizem que IA não substitui a criatividade humana
Yoshinori Kitase, Hiromichi Tanaka e Koichi Ishii falaram à Famitsu sobre o uso de IA generativa no desenvolvimento de jogos.

Imagem: reprodução/Hardware.com.br
Três veteranos da Square Enix, Yoshinori Kitase, Hiromichi Tanaka e Koichi Ishii, afirmaram em entrevista à Famitsu que a inteligência artificial pode agilizar o desenvolvimento de jogos, mas não deve assumir a criação de ideias originais. A conversa faz parte das comemorações dos 35 anos de Mana, segundo o Hardware.com.br.
Kitase, conhecido por Final Fantasy VII, separa o processo em duas etapas. A primeira é "transformar zero em um": criar a ideia e definir sua identidade. A segunda é levar o conceito de um a cem, até o produto final. Para ele, a primeira etapa continua humana. "Isso nunca vai mudar", disse. Já a segunda pode ficar mais eficiente com IA e engines modernas, o que deixaria os profissionais com mais tempo para criar.
Protótipos, indies e direitos autorais
Tanaka trabalhou em Secret of Mana e Trials of Mana. Ele concorda com Kitase e diz que saber usar ferramentas de IA será cada vez mais necessário, porque a tecnologia já muda a programação e facilita o trabalho de estúdios independentes. Na visão dele, isso deve aumentar a quantidade de jogos indie e obrigar as grandes produtoras a rever seus métodos. Tanaka também levantou a questão dos direitos autorais, principalmente quando a IA gera elementos gráficos.
Ishii, criador da franquia Mana, vê ganho na produção de protótipos. Com ciclos mais curtos, as equipes testam mais ideias e ajustam o projeto em menos tempo. Mesmo assim, ele considera a participação humana indispensável no começo e no fim do desenvolvimento. Se a IA cuidar de tudo, o resultado pode até ter acabamento visual refinado, mas ficar sem o "calor humano" de uma obra criativa.
Square Enix já investe em automação
As falas saem num momento em que a própria Square Enix amplia o uso de IA. Em novembro de 2025, a empresa revelou em seu relatório corporativo uma parceria com o laboratório Matsuo-Iwasawa, da Universidade de Tóquio, para desenvolver automação com IA generativa. A meta é automatizar 70% das tarefas de controle de qualidade e depuração de jogos até o fim de 2027.
A resistência entre os profissionais, porém, cresce. Uma pesquisa da Game Developers Conference (GDC) de 2026, com mais de 2.300 profissionais da indústria, mostrou que 52% acham que a IA generativa prejudica o setor. No levantamento anterior, eram 30%. Só 7% avaliaram o impacto como positivo. Os entrevistados citaram perda de empregos, direitos autorais e o uso de ferramentas automatizadas em tarefas criativas.
Kitase, Tanaka e Ishii defendem um meio-termo: usar a IA para facilitar o trabalho e manter nas mãos de pessoas as ideias e as decisões criativas.
Fonte: Hardware.com.br. Texto produzido com apoio de inteligência artificial a partir da fonte citada e revisado pela redação.



