WendyQuest, o JRPG do Wendy's, tem selo de 100% feito por humanos

O estúdio 81Monkeys conta à Polygon como o contrato com a rede de fast food bancou World of Anterra e por que a marca pediu um jogo sem IA.

Por Redação Capital Gamer · · 3 min de leitura
Personagem ruiva em pixel art, com armadura prateada e laço vermelho, espada nas costas, em uma floresta colorida

Imagem: reprodução/Polygon

O Wendy's tem um JRPG, e ele foi feito sem inteligência artificial. WendyQuest: Legend of the Four Corner Stones é desenvolvido pelo estúdio 81Monkeys, e as páginas do jogo na Steam trazem em destaque a frase "100% human made". O fundador e diretor do estúdio, Stephane Cotichini, deu detalhes do projeto em entrevista à Polygon.

O jogo chega depois de outra ação cultural da rede, o EP Songs to Listen to in a Wendy's Parking Lot. São seis faixas escritas por músicos de bandas como Anberlin, Blessthefall, Silverstein e Winona Fighter.

Um contrato que salvou outro jogo

A 81Monkeys trabalha há anos em World of Anterra, um RPG em pixel art com sistemas complexos. O jogo levantou dinheiro no Kickstarter em 2022, mas o escopo cresceu e o caixa encolheu. Cotichini diz que conversou com 60 possíveis investidores sem fechar nada. O cenário, nas palavras dele, era "dire".

Então chegou um e-mail pelo formulário do site do estúdio. Vinha do Wendy's. Em uma semana o contrato de WendyQuest estava assinado, e o dinheiro permitiu manter World of Anterra em produção. A equipe foi dividida meio a meio entre os dois jogos.

O que o estúdio mudou

A marca já tinha a visão geral do jogo. O trabalho do estúdio foi transformar a ideia em algo jogável. O combate deixou de ser puramente por turnos e ficou mais ativo. Os roteiristas da 81Monkeys reescreveram, segundo Cotichini, 99% do texto original, que funcionava como humor de rede social mas não sustentava um mundo de jogo.

Tudo passou pela aprovação do Wendy's. Mesmo assim sobrou espaço para uma cutucada na concorrência: o vilão, Dr. Mechborg, tem como logo um "M" dourado gigante. Na fala de apresentação, ele admite que servir bilhões é ótimo, mas diz que quer ganhar bilhões e manda o exército "cut corners".

O redator da Polygon jogou um trecho. O combate gira em torno de uma barra que enche rápido na parte de baixo da tela. Apertar o botão perto do limite dá o dano máximo; apertar cedo demais reduz o golpe ou faz errar. O texto também elogia a quantidade de piadas por minuto.

Sem IA, e com crédito

O projeto começou em fins de 2023. Cotichini conta que o contrato previa um estúdio silencioso, sem crédito público, e que ele insistiu para o nome da 81Monkeys aparecer. Para ele, o público quer saber que o jogo foi feito por um estúdio indie de verdade.

Segundo o diretor, a equipe de marketing do Wendy's pediu que o estúdio ficasse longe de ferramentas de IA. Em World of Anterra, a 81Monkeys já havia testado IA em gestão de projeto e eficiência, e concluiu que os custos subiram e a produtividade caiu. Quando sugeriu usar a tecnologia para criar NPCs mais rápido, ouviu de um colega: por que não escrever um script para isso?

Cotichini diz que espera ver outras marcas gastarem em estúdios independentes uma fração do que investem em marketing. O Wendy's, segundo a Polygon, tem valor de mercado de US$ 2,2 bilhões.

Fonte: Polygon. Texto produzido com apoio de inteligência artificial a partir da fonte citada e revisado pela redação.

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