Criador de Dark Sun diz que o cenário de D&D nunca foi político
Tim Brown conta à Polygon como nasceu o cenário de 1991, nega intenção política e fala de Dragon Kings, sucessor espiritual que ele lança agora.

Imagem: reprodução/Polygon
Timothy Brown, um dos criadores de Dark Sun, afirmou em entrevista em vídeo à Polygon que o cenário de Dungeons & Dragons nunca teve intenção política. Para ele, os temas ambientais e a escravidão que aparecem nos livros vieram da premissa de um mundo em colapso, não de uma posição dos autores.
Como Dark Sun surgiu na TSR
Dark Sun foi lançado em 1991 para a segunda edição de D&D, quando o jogo ainda era publicado pela TSR. Os principais autores da caixa original foram Brown e Troy Denning. Segundo Brown, a empresa achava que precisava de um universo novo para substituir Dragonlance e não esperava que ele durasse.
O projeto começou com o nome War World: um mundo arrasado por guerras, sem elfos nem anões. Brown conta que designers mais experientes não se ofereceram, e que ele e Denning levantaram a mão.
A referência de Brown era Conan, pela forma como a sorte do herói sobe e desce, e o visual do deserto de Duna. O artista Gerald Brom, então novato na TSR, recebeu um pedido incomum: desenhar coisas estranhas enquanto os designers escreviam. A escassez de metal no cenário vem daí, porque Brom desenhava personagens com armas de osso e de pedaços de insetos.
Os elfos, anões e halflings acabaram entrando, depois de reações de outras pessoas. A condição era que fossem diferentes de tudo o que o jogo já tinha, e saíram halflings canibais e elfos psionicistas.
Meio ambiente e escravidão
No cenário, 15 discípulos do feiticeiro Rajaat, os Champions of Rajaat, tentaram exterminar as raças não humanas. A Defiling Magic, criada por Rajaat, tira energia do ambiente a cada magia lançada, o que explica o deserto de Athas. Quem a pratica busca virar dragão, e só um conseguiu.
Muitos leitores veem aí uma crítica à ganância capitalista. Brown discorda. Diz que o ambiente hostil veio primeiro, e que a ideia de recursos escassos acumulados pelos ricos, com os pobres virando escravos, foi consequência natural. Sobre o que isso lembra no mundo real, ele disse que cabe a cada um interpretar.
A Wizards of the Coast evitou Dark Sun por muito tempo por causa da polêmica. Segundo a Polygon, a nova linha de livros também deve deixar de fora a escravidão e ajustar o cenário.
Brown diz não se lembrar de nenhuma conversa com Denning ou Brom sobre tomar posição política. Em 1991 não havia internet como hoje, então ele não soube de reações políticas na época. Para ele, Dark Sun foi politizado à medida que tudo o mais foi.
Sobre a escravidão, a lógica dos autores era tratá-la como algo sempre definido como mau, combatido pelos personagens bons. Brown arrisca uma explicação para o incômodo: em Dark Sun, humanos escravizam humanos, enquanto em outros cenários quem escraviza são criaturas más, como goblins.
Dragon Kings, o sucessor espiritual
Brown e Shane Hensley procuraram a Wizards algumas vezes para comprar Dark Sun e sempre ouviram não. Fizeram então o próprio sucessor, Dragon Kings, lançado em 2014 com o mundo de Khitus. A nova edição sai pela Strange Owl Games, usa as regras da quinta edição de D&D e amplia o conteúdo.
Participam Brown, Denning, Brom, Bill Slavicsek, Rich Baker e Hensley. Khitus é mais esperançoso que Athas, mas mantém a escassez e o preço da magia. Em vez de a conta cair sobre o planeta, ela cai sobre quem conjura: a magia é uma entidade viva que não quer ser incomodada, e quem lança feitiços arrisca sofrer sua ira.
Fonte: Polygon. Texto produzido com apoio de inteligência artificial a partir da fonte citada e revisado pela redação.



